Déficit de Atenção e Hiperatividade (02)
Continuando... Este efeito de redução no número de receptores e a
consequente necessidade da elevação da dosagem do fármaco faz com que ocorra
uma mudança na microestrutura cerebral, semelhante ao que acontece com usuário
de drogas após um determinado tempo de uso. Dependendo do tempo de utilização
do fármaco, será necessário um tempo de redução considerável para que o sistema
nervoso consiga voltar a realizar suas funções normais, sem que haja abstinência.
Mas, voltando ao transtorno, devemos ter em mente alguns pontos chaves:
a) toda criança é enérgica, umas mais e outras menos, então cuidado ao
dizer que tudo é hiperatividade;
b) é normal crianças criarem um mundo imaginário e divagarem em
determinadas situações, então cuidado ao dizer que tudo é desatenção;
c) existem os que apresentam apenas déficit de atenção sem
hiperatividade, sendo taxados de queridinhos, centrados e focados, e, por
muitas vezes os professores e pais dizem “não entendo como não aprende, é tão
centrado(a)!”, então cuidado em enquadrar todos os quietos como atentos,
atenção não tem nada a haver com quietude, tem haver com foco e manutenção do
foco;
d) existem os que apenas apresentam hiperatividade sem déficit de
atenção, não param um segundo, mexem em tudo, são os castigos dos pais e
professores - que costumam dizer “ele não para, é mal comportado, vive incomodando,
mas tem muita sorte, pois vai bem nas avaliações!”, cuidado em rotular todos os
agitados como desatentos, muitos apresentam atenção acima da média, e, muitas
vezes por isso, tendem a ser mais dinâmicos, o que pode ser confundido com a
hiperatividade. Então, cuidado! A
hiperatividade não tem nada a ver com desatenção e falta de capacidade
cognitiva e sim com necessidades de dinamismo nas atividades e inquietude
motora;
e) e por último se encontra o grupo dos que apresentam déficit de atenção
e também a hiperatividade. Eles não costumam parar quietos e não mantém o foco
em nada, mas isso não significa que não consigam aprender, sendo apenas necessária
uma forma diferente de abordagem para eles. Pais e professores costumam dizer: “não
sei mais o que fazer com ele, já falamos mais de mil vezes, já levamos a vários
profissionais, mas nada adianta, acho que ele nunca vai conseguir ser alguém!”.
Precisamos compreender que os discursos direcionados para se focarem e pararem
quietos não funcionam! Não está sob o controle deles a perda de foco e a
agitação, e o melhor a ser feito é auxiliar no desenvolvimento de um ambiente
que propicie uma mudança na base neurofisiológica, permitindo que o seu
comportamento possa mudar aos poucos.
Existem diversas formas de reestruturação neurofisiológica para os
casos de déficit de atenção, para os de hiperatividade e para os de déficit de
atenção e hiperatividade, e até os fármacos são mais apropriados para um, e não
são indicados à outro. Quais seriam essas formas? Daremos tempo para vocês investigarem
e levantarem suas próprias hipóteses. Em breve retornaremos....
Por
Valdeci Foza
Alessandra Kayser Pinheiro